Cachorros podem comer ossos?
- Natalia Eliam
- 22 de set. de 2025
- 6 min de leitura
Atualizado: 23 de set. de 2025
Provavelmente você já se deparou com imagens de ossos associadas aos cães. Seja em brinquedos em formato de osso, camas, biscoitos ou até em desenhos animados, há inúmeras formas de representações que reforçam essa ligação simbólica entre os cachorros e os ossos.
Se muitas pessoas ainda acreditam que ossos fazem mal aos cachorros, por que essa imagem segue como símbolo do universo canino? Será que os ossos são mesmo um risco para a saúde dos cães?
Nesta publicação você vai descobrir, em detalhes, a razão por trás dessa crença.
Para começar o assunto, vamos relembrar que os cães têm como ancestral direto o lobo-cinzento. Isso significa que, seja um Pinscher ou um Pastor Alemão, não faz diferença: todos compartilham a mesma ascendência, todos vieram do lobo.
É fato que, mesmo após a domesticação, processo lento que teve início há milhares de anos, os cães não são mais lobos. Ainda assim, sempre irão carregar a genética evolutiva da espécie.
Essa questão diz muito sobre a anatomia e a fisiologia dos cães. Além do mais, também cumpre papel importante na expressão dos comportamentos naturais e na definição de quais são as necessidades nutricionais da espécie.
Bom, chegamos em um ponto fundamental: as necessidades nutricionais da espécie. Vou resumir em seguida a referida questão, mas, para quem se interessar, abordei com profundidade esse tema na publicação sobre como fazer a dieta mista para cães e gatos, clique aqui para ler.
O CACHORRO E O LOBO-CINZENTO
Ao longo dos milhares de anos da evolução das espécies, o lobo-cinzento se alimentou de animais inteiros na natureza selvagem. Pequenas presas, das quais precisava ingerir os ossos, as vísceras, as cartilagens, as carnes e toda a carcaça. Isso acontecia entre períodos de jejum prolongado, algo que era muito bem tolerado pela espécie devido ao fato de que as presas não eram tão abundantes no ambiente, não há fartura alimentar em ambientes naturais.
Desse modo, era possível ao lobo-cinzento adquirir os nutrientes que são necessários para a espécie através do consumo das presas inteiras. As necessidades nutricionais, então, eram supridas a partir do consumo de ossos crus, da pele crua, de glândulas cruas e das carnes e vísceras cruas.

O cachorro e o lobo-cinzento compartilham quase a mesma genética, algo como cerca de 99% do DNA. Não há exatamente uma diferenciação entre as espécies. Na verdade, o cão é classificado como uma subespécie do lobo-cinzento. Volto a dizer que cães não são lobos, mas são bastante próximos em termos biológicos. Podem, inclusive, cruzar e gerar descendentes férteis entre si.
Sabendo que o cachorro e o lobo-cinzento são semelhantes em sua natureza, fato que implica que suas necessidades nutricionais também são semelhantes, o que permite, então, que lobos consumam animais inteiros, inclusive, com toda a estrutura óssea, e que, em tese, não permite que o cachorro faça o mesmo?
Em que momento os ossos passaram a ser perigosos para o cachorro?
Permita-me uma breve história para introduzir o malefício oculto dos ossos.
ERA UMA VEZ...
Em um ensolarado dia de domingo, imagine um almoço em família. O cardápio é um belo frango inteiro assado. No final das refeições, algum familiar se manifesta “guarde os ossos para os cachorros!”.

Você, inocentemente, segue a recomendação pois, por que não?!
Cães evoluíram durante milhares de anos a partir da ingestão de ossos de suas presas, sempre fizeram isso com excelência.
O consumo acontece. No dia seguinte, seu cão acorda prostrado, após alguns episódios de vômitos na madrugada.
Você se preocupa, e o leva para a clínica veterinária de sua confiança. Após alguns exames, você recebe a notícia de que uma cirurgia de emergência será necessária e que existem fragmentos ósseos obstruindo as vias digestivas do seu cão.
Passado o susto, você é advertido pelo médico-veterinário: “nunca mais ofereça ossos ao seu cachorro, a situação poderia ter sido pior!”, disse ele.
Onde está o erro? O referido cenário é um clássico e infelizmente ainda se repete com frequência nos prontos-socorros veterinários. Quase sempre os ossos são condenados. No entanto, existe um grande pequeno detalhe que altera toda a perspectiva da situação.
Um osso cozido se difere completamente do que é um osso cru. De maneira microscópica, quando os ossos são submetidos à temperaturas elevadas, suas estruturas moleculares originais são destruídas, desmontadas no aspecto físico e químico. Em outras palavras, eles se tornam um objeto estranho, completamente diferente do que eram momentos antes do processo de aquecimento.
Consequentemente, se tornam extremamente rígidos, a digestão desses fragmentos é dificultada e, perigosamente, formam lascas pontiagudas que podem perfurar por onde passam.
Isso não ocorre com ossos crus!
Ossos crus estão presentes na alimentação natural ancestral dos cães e dos gatos há milhões de anos. É principalmente através do consumo deles que esses seres conseguem nutrientes essenciais como o cálcio, o fósforo e o magnésio, além de vários outros benefícios não replicáveis.
Na imagem abaixo, é possível observar e notar que, até mesmo visualmente, ossos cozidos e crus não são a mesma coisa.

Nesse ponto, cabe a conclusão: ossos não são perigosos, exceto quando passaram por algum tipo de processamento térmico.
Ou seja, ossos são perigosos quando foram cozidos, assados, fritos, defumados, desidratados ou qualquer outra situação que envolva o processamento térmico.
Ossos são seguros quando 100% crus.
QUAIS OSSOS OFERECER PARA O MEU CACHORRO?
Quando falamos sobre ossos crus para cães, temos duas possibilidades:
Os ossos carnudos e os ossos recreativos.
Ossos carnudos são adequados para o consumo e normalmente fazem parte do protocolo de alimentação do cachorro.
Ossos recreativos são oferecidos, como o nome já diz, de modo recreativo. Por isso, eles não são apropriados para o consumo e devem ser oferecidos a cada certo tempo, como semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente. Isso depende da necessidade individual do cão.
Em outras palavras, ossos carnudos são ingredientes que entram na composição da dieta do cão. São fontes primordiais de micronutrientes como cálcio, fósforo e magnésio. Devem ser compatíveis com o porte do cachorro, e também com a habilidade individual de mastigação que ele tem.
Já os ossos recreativos servem como objeto de recreação. São oferecidos com o intuito de promover a atividade de morder e roer, comportamentos esses que são naturais para a espécie canina.
Os ossos recreativos devem ter um tamanho maior do que a cabeça do cão ou maior do que a boca do cão completamente aberta. O objetivo dessa regra é evitar qualquer possibilidade de tentativa de deglutição do osso, pois esse ato poderia resultar em engasgo, algo que, nesse caso, representaria um risco para a vida do cão.
Agora que você já sabe a diferença entre ossos carnudos e recreativos, vejamos abaixo alguns exemplos de opções apropriadas para cada porte!
Ossos carnudos
Para cães de pequeno porte:
Cabeça de frango, pescoço de frango sem pele, pés de frango, codorna em pedaços.
Para cães de médio porte:
Todas as opções anteriores + sobrecoxa de frango sem pele, dorso de frango em pedaços.
Para cães de grande porte:
Todas as opções anteriores + coxa de frango com ou sem pele.
Observações importantes:
Ossos carnudos só são seguros quando oferecidos 100% crus.
Para cães com problemas digestivos, ou cães que estão no início da prática de comer ossos, normalmente recomendo ossos bem picados ou, se possível, moídos.
Realize o congelamento profilático das peças, conforme expliquei na publicação sobre dieta mista, clique aqui para ler.
Existem muitas outras opções de ossos carnudos crus, não são somente os ossos carnudos de aves que foram citados. Para explorar novas opções, entre em contato para uma avaliação individualizada.
Busque por orientação profissional para montar um protocolo de dieta adequado e completo para as necessidades do seu cachorro!
No meu atendimento, eu faço o cálculo e a composição individual do plano de alimentação, clique aqui para maiores informações.
Ossos recreativos
Para cães de pequeno porte:
Úmero e fêmur suíno, avalie individualmente, o osso recreativo deve ser sempre maior do que a cabeça do seu cão.
Para cães de médio porte:
Escápula bovina, avalie individualmente, o osso recreativo deve ser sempre maior do que a cabeça do seu cão.
Para cães de grande porte:
Úmero e fêmur bovino, avalie individualmente, o osso recreativo deve ser sempre maior do que a cabeça do seu cão.
Observações importantes:
Ossos recreativos só são seguros quando oferecidos 100% crus.
Ofereça de modo não mais frequente do que uma vez por semana, durante o período de no máximo 1 hora.
Monitore todo o período de interação com osso, após o uso descarte.
Jamais guarde novamente na sua geladeira ou freezer após oferecer para o cão.
Realize o congelamento profilático dos ossos recreativos, conforme expliquei na publicação sobre dieta mista, clique aqui para ler.
Busque por orientação profissional para montar um protocolo de dieta adequado e completo para as necessidades do seu cachorro!
No meu atendimento, eu faço o cálculo e a composição individual do plano de alimentação, clique aqui para maiores informações.
Por enquanto, encerramos por aqui.
Eu trabalho exclusivamente com a nutrição de cães e gatos há alguns anos e testemunho diariamente como a comida verdadeira, planejada de acordo com as necessidades nutricionais da espécie, pode transformar vidas. Ou até mesmo salvá-las.

Se você está considerando mudar a alimentação e a saúde do seu amigo de quatro patas, ficarei feliz em ajudar.
Entre em contato para mais informações e orientações personalizadas!
Atenciosamente,
Natália.



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