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Como fazer a dieta mista

  • Foto do escritor: Natalia Eliam
    Natalia Eliam
  • 2 de ago. de 2025
  • 14 min de leitura

Atualizado: 22 de set. de 2025

Ração com sachê, dieta mista, mixed feeding, mix feeding... Talvez você não saiba, mas a prática de oferecer algum tipo de comida junto com a ração seca do seu cão ou gato pode ser chamada de todos esses nomes, algo que nos dias atuais é muito mais comum do que imaginamos.



Estima-se que sete em cada dez tutores brasileiros oferecem alimentos do próprio consumo aos seus cães e gatos, sem a supervisão de um profissional da área e, muitas vezes, sem ter o conhecimento sobre se o que está sendo oferecido é realmente bom para a saúde do pet.



Quando escolhemos o que iremos oferecer para o nosso cão ou gato, como alimento principal ou de maneira complementar, e até mesmo quando oferecemos aquele petisco aparentemente inofensivo, estamos fazendo um investimento, que pode ser direcionado ou para a saúde, ou não.


No dia 4 de março de 1909, nascia na Lituânia uma mulher que viria a se tornar uma grande referência para o movimento em defesa da alimentação baseada em comida crua. Ann Wigmore provavelmente fez mais do que qualquer outra pessoa na história recente para ensinar sobre os efeitos curativos da grama de trigo e sobre os benefícios de uma alimentação viva, baseada em brotos crus, frutas, vegetais, sementes, castanhas e grãos germinados. Ela faleceu no ano de 1994, mas deixou um ensinamento que é atemporal e que vale para todos nós:


"A comida que você come pode ser a forma mais segura e poderosa de remédio, ou a forma mais lenta de veneno."

Tradução de "The food you eat can be either the safest and most powerful form of medicine or the slowest form of poison."


Infelizmente, muitos pets eventualmente sofrem com problemas de saúde que podem ser agudos ou crônicos, devido à alimentação inadequada ou ao consumo inapropriado de alimentos que deveriam permanecer reservados ao consumo humano. Em situações não tão raras, a ingestão de ingredientes tóxicos pode levar a quadros clínicos graves e com desfechos trágicos.


Existe uma ferramenta fundamental na prevenção desse tipo de situação que, além de favorecer a saúde do peludo, irá evitar a ocorrência de situações indesejadas como as que citei acima.


O nome dessa ferramenta é conhecimento.


A seguir, espero contribuir para tornar o conhecimento sobre a dieta mista um pouco mais acessível e, assim, ajudar aqueles que pretendem oferecer uma rotina de alimentação mais rica e variada para seus pets, ou seja, não baseada exclusivamente em ração seca, de modo a conciliar a adição de comida fresca com saúde e respeito às necessidades nutricionais e biológicas dos cães e dos gatos.


ANTES DE MAIS NADA, A RESPONSABILIDADE


Sabe aquele tipo de coisa que parece ser, mas não é? Percebo com certa frequência a subestimação da nutrição e seus impactos na saúde. Muitas pessoas tendem a pensar que uma rotina de alimentação desregrada é algo inocente, ou não tão potencialmente nocivo.


Veja bem, a nutrição é o fator ambiental de maior impacto na saúde, porque é contínuo e é diário. Precisamos comer todos os dias. Uma rotina alimentar verdadeiramente segura deve incluir a presença de todos os nutrientes essenciais, e aqui me refiro especialmente às proteínas, vitaminas e minerais que o corpo não é capaz de produzir sozinho. Sem eles, problemas de saúde se tornam apenas uma questão de tempo.


É importante saber que não há conteúdo na internet que substitua o atendimento veterinário, especificamente o serviço de consulta clínica e o acompanhamento nutricional individualizado.


A nutrição pode ser algo bastante simples, mas só depois que você entende todos os fundamentos. Antes disso, existe um caminho que deve ser percorrido, não existem atalhos. Profissionais da área da medicina veterinária e, de modo especializado, da nutrição veterinária, dedicam anos de estudo para o entendimento sobre alimentos e metabolismo, algo que eu jamais conseguiria resumir nesta publicação. Aliás, essa não é a minha intenção por aqui.


O objetivo, na verdade, é possibilitar o acesso a informações básicas, que serão minimamente suficientes para que as pessoas façam escolhas alimentares para seus pets de modo mais apropriado para a saúde deles, visto que constantemente realizam a dieta mista de modo irresponsável, sem o menor critério.


Por isso, deixemos claro: antes de mais nada, a responsabilidade pela alimentação do seu cão ou gato é sua. Essa publicação não é uma recomendação veterinária, mas sim um guia básico para quem quer ter um pouco mais de autonomia nutricional na alimentação do próprio pet.


Veículos de informação, como esse artigo por exemplo, podem ajudar, mas nada irá substituir a atenção de um profissional qualificado. Se o seu cão ou gato é filhote, idoso ou se possui alguma condição específica de saúde da qual você já tem o conhecimento, recomendo que não tente seguir adiante por conta própria, busque acompanhamento profissional e não coloque a saúde do seu pet em risco.


COMIDA COM RAÇÃO E A EVOLUÇÃO


Existe um ponto fundamental que é preciso conhecer para ser capaz de discernir entre o que é adequado ou não para misturar com a ração do seu cão ou gato. Eu vou te dizer agora qual é esse ponto.


Cães e gatos são animais carnívoros. Ou melhor, são carnívoros domésticos.

Isso significa que, ao longo de milhares de anos de evolução das espécies, os ancestrais dos cães (o lobo cinzento, Canis lupus) e dos gatos (o gato do deserto, Felis silvestris) viveram e se desenvolveram durante muito tempo a partir do consumo de presas na natureza, o que se resume em um modelo de alimentação rico em fontes de proteínas e gorduras, e quantidades bem pequenas ou até insignificantes de fontes de carboidratos.


Pode até parecer, a princípio, que é só um detalhe a questão evolutiva da espécie, algo que ficou no passado, porque as espécies se adaptam, certo? Acontece que a maneira como as espécies se desenvolveram ao longo de todos esses anos é o que determina a genética de cada uma delas, e isso é de extrema importância.


A nossa genética determina, grosso modo, como o nosso corpo irá funcionar. Nesse sentido, a genética molda como será a nossa anatomia, por exemplo nosso esqueleto e nossos órgãos, também como será o nosso metabolismo, ou seja, a nossa química interna. Dentro disso, o metabolismo de cada espécie tem suas necessidades específicas, inclusive as necessidades nutricionais.


Cada animal possui suas necessidades nutricionais específicas.

cavalos e vacas
Cavalos (Equus caballus) e vacas (Bos taurus), duas espécies herbívoras

Por exemplo, cavalos e vacas são animais herbívoros. Isso significa que possuem as mesmas necessidades nutricionais? Não. São duas espécies muito diferentes, embora as duas sejam herbívoras e se alimentem de plantas. Cada uma tem sua genética, que foi moldada após anos de evolução das espécies, e isso determina quais são as necessidades nutricionais de cada uma.



O segundo exemplo é a comparação entre cães e gatos. As duas espécies são carnívoras, estão na ordem biológica dos carnívoros de acordo com a taxonomia das espécies. Isso significa que podem ser alimentados exatamente da mesma forma, que irão ter suas necessidades nutricionais supridas? Não! Cada espécie tem a própria genética e, consequentemente, as próprias necessidades nutricionais.


Um outro ponto é o comportamento alimentar. Ter o comportamento de se alimentar de modo incompatível com as necessidades nutricionais não muda a biologia de um organismo.

Por exemplo, se você passasse a se alimentar todos os dias exclusivamente com bolachas, isso faria de você um organismo bolachívoro? Não, e muito provavelmente em pouco tempo você já sentiria as consequências de uma alimentação inadequada, que contraria o que o seu corpo precisa em termos de necessidades nutricionais.


Isso significa que, embora cães e gatos consigam se alimentar de ingredientes que fazem parte da alimentação de humanos, não quer dizer que faz bem para a saúde deles, ou que irá trazer benefícios nutricionais. Alimentos não precisam ser tóxicos para causarem algum dano.


A ANTROPOMORFIZAÇÃO


Na hora de oferecer a comida para nossos pets, muitas pessoas, em um movimento automático, adicionam diariamente fontes de carboidratos e de fibras na ração do pet, como arroz, frutas e legumes, no entendimento de que aquilo será bom para a saúde deles porque, afinal, é bom para nós, humanos. Mas será que existe benefício para eles?


A antropomorfização é a atribuição de características, sentimentos e comportamentos humanos a objetos inanimados, animais não humanos ou à natureza.

Quando achamos que nossos pets vão se beneficiar de um modelo de alimentação que é o modelo humano de alimentação, estamos praticando a antropomorfização e, desse modo, não respeitamos as necessidades nutricionais da espécie deles.


sorvete pra cachorro
Oferecer alimentos destinados ao consumo humano a cães e gatos é um ato de antropomorfização

Veja bem, a ração seca é um alimento que já traz quantidades elevadas e até muitas vezes exageradas de carboidratos na composição nutricional. Junto com isso, temos baixas quantidades de proteínas, nutriente esse que vem de fontes de baixo valor biológico, como dos grãos de milho, ou de farinhas processadas de vísceras. Na publicação sobre as rações secas, eu falo bastante sobre isso. Clique aqui para acessar.


Sabendo que esse é um cenário de suficiência ou até excesso de carboidratos, e ausência de boas proteínas, qual seria o sentido de adicionar novas fontes de carboidratos, como arroz, legumes e frutas, na rotina de alimentação do pet? Nessa situação, podemos facilmente prejudicar a saúde do pet, ocasionar deficiências nutricionais e favorecer o surgimento de doenças metabólicas no médio e longo prazo.


Isso não significa que alimentos como o arroz, frutas e legumes não possam ser usados em protocolos de alimentação natural. Muitas empresas de alimentação natural, inclusive, usam esses ingredientes em suas formulações. Mas, nesse caso, tudo é devidamente calculado por um profissional qualificado, está suplementado e não conta com faltas ou excessos.


Quando falamos sobre ração seca com comida caseira, precisamos saber que o que está em escassez são as proteínas de alto valor biológico e as vitaminas hidrossolúveis, e essas podem ser adquiridas através do consumo de carnes, vísceras e também de ossos carnudos crus, que são os responsáveis especialmente pelo balanço mineral da alimentação.


O balanço mineral é fundamental para que o protocolo de alimentação seja coerente com as necessidades nutricionais do pet. Sobre isso, é importante que você tenha o conhecimento de que as quantidades do mineral cálcio devem ser iguais ou um pouco maiores do que as quantidades do mineral fósforo na alimentação de cães e gatos. Isso justifica o uso de ossos carnudos no planejamento alimentar, sabendo que são fontes de cálcio e de fósforo também, de modo equilibrado. Ao oferecer somente carnes, que são fontes naturais do fósforo, atente-se em oferecer também fontes de cálcio, como ossos carnudos, para equilibrar essa relação.


Logo abaixo, você vai aprender sobre esse assunto e também como fazer a dieta mista de modo equilibrado.


COMO FAZER A DIETA MISTA PARA CÃES


O primeiro passo é definir qual é a quantidade total de ração que seu cão consome no dia. Para saber, verifique na embalagem a quantidade recomendada pelo fabricante e use uma balança culinária para pesar a porção diária de ração.


Em seguida, você irá multiplicar esse valor por 0,6.


O resultado é a quantidade de ração que você vai passar a oferecer por dia, sempre que for seguir esse modelo de dieta mista. Isso porque, nesse planejamento, vamos manter 60% do total diário de ração, e os outros 40% vamos substituir pelos alimentos frescos que logo vou detalhar.


Antes de continuar, atente-se para a seguinte questão: sabendo que vamos fazer a retirada do alimento seco que é a ração, e vamos substituir por alimentos frescos que são ricos em umidade, não é coerente manter a mesma quantidade para ambos. Precisamos corrigir esses valores, vou explicar abaixo como fazer isso com um exemplo prático.


Vamos imaginar um cão que precisa consumir 200 gramas de ração por dia.


O primeiro passo é multiplicar 200 por 0,6 = 120 gramas de ração por dia.

Sobram 80 gramas de ração, que são os 40% complementares.

Nesse momento, vamos multiplicar esse valor dos 40% complementares por 3, para compensar a diferença entre alimento seco, que tem baixa umidade, e o alimento fresco, que tem alta umidade.


Então a conta ficaria 80 multiplicado por 3, com valor resultante de 240 gramas. Nesse exemplo, essa seria a quantidade corrigida em alimentos frescos por dia.


Em resumo, a equação fica da seguinte maneira:


Alimentação do dia = quantidade de ração + quantidade de comida


Sendo:

Quantidade de ração = total diário recomendado de ração * 0,6

Quantidade de comida = (total diário recomendado de ração * 0,4) x 3

Agora que você já sabe como contabilizar a quantidade em gramas por dia de cada um dos alimentos, vou listar abaixo quais são os ingredientes apropriados para a composição equilibrada da dieta mista.


Quanto e quais ingredientes frescos utilizar na dieta mista


Para escolher os ingredientes que irão compor os 40% complementares, vamos dividir os ingredientes em três categorias: ossos carnudos crus, carnes magras e vísceras.


A proporção será de um terço do total para cada.

Ou seja, seguindo o mesmo exemplo do cão que precisa de 200 gramas por dia, ficaria assim:


A quantidade de ração seria 120 gramas (200 *0,6).

A quantidade de comida adicionada seria 240 gramas ((total de ração *0,4) x 3)


Feito isso, dividimos a quantidade de comida adicionada pela quantidade de categorias dos ingredientes. Então, se tenho: ossos carnudos, carnes magras e vísceras, tenho três categorias. Logo, vamos dividir 240 por 3.


O resultado é 80, isso significa que vamos adicionar 80 gramas por dia de cada uma das categorias de alimentos.


É possível aplicar essa mesma regra também para duas categorias, no caso, ossos carnudos e carnes magras. Então, nesse exemplo, dividiríamos 240 por 2, e teríamos o valor de 120 gramas por dia para adicionar de cada um dos ingredientes.


Finalizadas as contas, vamos aos ingredientes!


Escolha uma das opções de ingredientes de cada uma das categorias, e busque variar ao longo das semanas para oferecer uma rotina diversificada de alimentos e nutrientes para o seu cão. Não é necessário variar diariamente, mas evite oferecer um único cardápio durante semanas ou meses sem a menor variação.


Atenção! Ossos carnudos devem ser oferecidos 100% crus, não é permitido aquecer, ainda que brevemente, algum desses ingredientes.


O aquecimento dos ossos carnudos irá modificar a estrutura química dos ossos, torná-los rígidos, desse modo o cão não conseguirá digeri-los e isso pode ser uma ameaça à integridade física do pet. Jamais, em nenhuma hipótese, ofereça ossos cozidos, fritos, assados, desidratados ou aquecidos de alguma maneira.


1 - Ossos carnudos crus:


Para cães de pequeno porte: pescoço de frango sem pele, asa de frango sem pele, pés de frango em pedaços, cabeça de frango, rã em pedaços, codorna inteira em pedaços.


Para cães de médio e grande porte: todas as opções anteriores + coxa e sobrecoxa de aves sem pele, dorso de frango em pedaços sem pele, coelho inteiro em pedaços.


2 - Carnes magras:


Filé de coxa e sobrecoxa de frango sem pele, peito de frango sem pele, músculo bovino, patinho bovino, filé mignon suíno, lombo suíno, filé de tilápia ou saint peter.


3 - Vísceras:


Coração de frango, moela de frango, coração bovino, bucho bovino, testículo bovino, pulmão bovino.


Como oferecer?


A melhor maneira de oferecer é com a menor quantidade possível de processamentos.


Ossos carnudos devem ser oferecidos 100% crus, enquanto carnes e vísceras podem ser oferecidas cruas ou levemente cozidas.


Prefira sempre o alimento in natura, ou seja, completamente cru.


Para fazer isso com segurança, siga as recomendações que vou pontuar abaixo, isso vale para os ossos carnudos, também para as carnes e vísceras.


  • Compre ingredientes congelados em freezer, como esses que vêm direto da fábrica para o consumidor. Desse modo, você garante o congelamento profilático da peça, prática que evita possíveis contaminações por parasitas. Evite pegar ingredientes resfriados no açougue, porque você nunca sabe há quanto tempo o ingrediente já está descongelado, se foi recongelado alguma vez e se já está inapropriado para o consumo enquanto cru.


  • Busque por produtos que tenham o selo de inspeção federal de alimentos, o carimbo do "S.I.F." como o da imagem abaixo.


    carne crua para pet
    O selo ou carimbo SIF é responsável por regulamentar produtos de origem animal

  • Busque por datas de fabricação recentes, algo como no máximo há 4 meses atrás.


  • Verifique se não existem anormalidades no aspecto do ingrediente, por exemplo: formação bastante visível de cristais de gelo no interior da embalagem, carne com coloração diferente do usual ou qualquer outra alteração que pareça suspeita. Muitas vezes, tais alterações não significam necessariamente que o alimento está deteriorado, mas, considerando o consumo do ingrediente cru, é melhor buscar pelo produto com o melhor aspecto possível.


  • Para manipular os ingredientes, lave bem as mãos com sabão neutro antes e depois do manuseio, também os utensílios que você irá utilizar.


  • Não deixe o alimento cru em exposição no ambiente por muito tempo. Se for fazer marmitas com as porções, separe tudo o que você vai precisar, esquematize o preparo e só depois retire as carnes do congelador. Faça o preparo de maneira breve e objetiva, depois congele novamente as marmitas. Próximo descongelamento deve ser para servir a porção.


  • Caso a porção fique no ambiente porque o pet não comeu tudo, descarte. Não congele novamente.


  • Caso tenha crianças em casa ou idosos, redobre o cuidado com as fezes do pet. Sabemos que cães que comem carnes cruas, assim como cães que comem somente a ração, podem eliminar bactérias pelas fezes. Digo isso porque, caso ocorra o manuseio das fezes seguido do ato de colocar as mãos no rosto, nos olhos ou na boca, pode acontecer um quadro de infecção. Para evitar esse tipo de cenário, não permita que fezes do cão fiquem por muito tempo no ambiente de convívio da família, limpe o local das necessidades com produtos adequados e lave bem as mãos com sabão neutro após manusear as fezes.


E se eu não quiser oferecer a carne crua?


Se você, por algum motivo, não se sentir seguro(a) com a oferta dos ingredientes crus, temos algumas alternativas, vou apresentá-las abaixo.


Caso prefira oferecer somente ingredientes cozidos, será necessário mudar um pouco as regras da distribuição. Nesse caso, os ossos carnudos não entram no protocolo de alimentação, pois só podem ser consumidos quando estão 100% crus, conforme vimos anteriormente.


Para oferecer somente carnes cozidas, a primeira coisa que devemos fazer é reduzir a quantidade de comida e aumentar a quantidade de ração, então nesse sentido não é possível recomendar aqui a proporção de 60% de ração e 40% de comida. Já vou explicar o motivo.


No caso de oferecer ração com carnes cozidas, será necessário seguir a proporção de 80% de ração e 20% de carnes cozidas. Ao invés de multiplicar por 3 o valor complementar, você irá multiplicar por 2. Então a conta fica da seguinte maneira:


Quantidade de ração = total diário recomendado de ração * 0,8

Quantidade de comida = (total diário recomendado de ração * 0,2) x 2

Na prática, seguindo o mesmo exemplo do cão que precisa receber 200 gramas em ração por dia, ficaria assim:


Quantidade de ração é 200 * 0,8 = 160 gramas.


Quantidade de carnes cozidas é 200 * 0,2 = 40 gramas,

que multiplicado por 2 resulta em 80 gramas.


Desses 80 gramas, você irá escolher duas carnes magras ou vísceras para oferecer em quantidades iguais no dia, ou seja, 40 gramas de cada por dia.


Uma observação importante é que você deve considerar o peso da carne após o cozimento.


Por que tem que ser assim?


Lembra o que falei acima sobre as necessidades nutricionais? Para suprir as necessidades nutricionais dos cães, devemos oferecer os minerais cálcio e fósforo em uma relação de equilíbrio, na qual as quantidades de fósforo no alimento não podem ser maiores do que as quantidades de cálcio.


Não é um problema quando isso ocorre pontualmente, um dia ou outro. Mas, quando falamos sobre rotina de alimentação, a continuidade de uma alimentação desequilibrada nas quantidades de cálcio e fósforo pode causar problemas metabólicos no médio e no longo prazo.


Na ração seca, esses dois minerais (o cálcio e o fósforo) são suplementados de modo equilibrado, ou seja, o cálcio está em proporções iguais ou maiores em comparação com o fósforo. Quando retiramos a ração seca e adicionamos apenas carnes, que são fontes de fósforo, invertemos essa relação.


Ao manter 80% da quantidade de ração e adicionar os 20% complementares em carnes e vísceras, a relação entre o cálcio e o fósforo ainda se mantém equilibrada. Para além dessas quantidades, a relação fica desequilibrada, ou seja, não é recomendado seguir dessa forma, pois há desbalanço nos minerais essenciais.


Nesse sentido, é também por esse motivo que a adição dos ossos carnudos crus permite uma proporção maior de retirada de ração seca e adição de alimentos frescos em substituição. Os ossos carnudos crus são fontes naturais de cálcio para os cães, e com a oferta deles conseguimos manter o equilíbrio na proporção entre os minerais cálcio e fósforo.


Talvez você se pergunte se essas proporções são inflexíveis. Não são. É completamente possível fazer a dieta mista sem a adição de ossos carnudos, usando somente as carnes cozidas e em proporções maiores de substituição da ração seca. Para isso, é necessário passar antes por uma consulta nutricional, para a correção do balanço mineral da dieta, que deverá ser feito com a suplementação individualizada, o que normalmente é feito através da manipulação dos minerais complementares, como por exemplo o cálcio.


Considerando que esse artigo é um guia básico para que as pessoas consigam executar a dieta mista para seus cães sem tantos critérios individuais, recomendo não ultrapassar as proporções recomendadas por conta própria. Caso queira uma dieta mista personalizada e planejada unicamente para o seu cão, entre em contato para uma consulta nutricional.


E para os gatos?


Para os gatos, recomendo começar com a proporção de 80% de ração e 20% em alimentos frescos, conforme expliquei acima. Se for oferecer carnes e vísceras cruas, multiplique o valor complementar por três. Se forem cozidas, então multiplique por dois.


No caso dos felinos, pode ser interessante começar desse modo para conhecer as preferências do seu gato e possibilitar que ele conheça novas texturas, cheiros e sabores. Assim que sentir que é possível explorar um pouco mais, o ideal é agendar uma consulta nutricional para o planejamento e execução dos próximos passos.


Por enquanto, encerramos por aqui.


Eu trabalho exclusivamente com a nutrição de cães e gatos há alguns anos e testemunho diariamente como a comida verdadeira, planejada de acordo com as necessidades nutricionais da espécie, pode transformar vidas. Ou até mesmo salvá-las.


alimentação natural para cães
Exemplos de refeições de alimentação natural - cozida, crua sem ossos e crua com ossos

Se você está considerando mudar a alimentação e a saúde do seu amigo de quatro patas, ficarei feliz em ajudar.


Entre em contato para mais informações e orientações personalizadas!

Atenciosamente,

Natália.

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