O que são as proteínas?
- Natalia Eliam
- 14 de jun. de 2025
- 7 min de leitura
Alguma vez você já se pegou pensando sobre o que será que existe na composição dos alimentos? Se pudéssemos olhar para uma comida e enxergar o que existe lá dentro, o que nós veríamos?
Pode parecer estranho, mas muito do que encontramos nas comidas também encontramos dentro de nós. Nas árvores, nos frutos, nos animais, nos fungos... onde existe vida, existirá um fluxo constante de pequenas partículas que são chamadas de nutrientes.
Essas partículas têm funções distintas dentro dos organismos. Muitas são fundamentais para a vida, é a partir delas que a energia para as células é gerada, novas células são construídas, novas moléculas de hormônios são fabricadas, novas partículas de enzimas, novas unidades de anticorpos... Existe um universo inteiro de reações que ocorrem incansavelmente dentro de um organismo. O objetivo? Mantê-lo vivo e apto para lidar com as condições encontradas no ambiente.
Estar vivo é uma atividade que exige! Dentro do corpo de um mamífero vivo, a todo momento, milhares de células chegam ao fim dos seus ciclos de vida, ao passo que são substituídas por novas células, previamente requisitadas e fabricadas. Segundo após segundo, parte de nós morre e (re)nasce novamente.
Todas as células são construídas a partir de nutrientes e, após o nascimento, todos eles são adquiridos através da alimentação. Por isso que costumam dizer por aí que “nós somos o que nós comemos”. Algumas partículas que hoje formam os alimentos são as mesmas que vão formar parte da estrutura física futura do indivíduo que se alimentou delas.
A nutrição pode ser considerada como o fator ambiental de maior importância para a saúde de um indivíduo, pois o impacto é constante e contínuo, durante toda a vida.
Essas partículas são chamadas de macronutrientes, elementos que iremos conhecer nessa e nas próximas publicações.
AS PROTEÍNAS E OS AMINOÁCIDOS
As proteínas são formadas por uma junção de aminoácidos, que são substâncias únicas. Cada aminoácido tem sua forma e sua função na natureza. Existem inúmeros aminoácidos no planeta, mas somente vinte deles são utilizados por seres vivos para a fabricação de proteínas. Quando se unem, em grupos de dezenas ou centenas, formam uma partícula maior, que é uma proteína.

Figurativamente, podemos dizer que, da mesma forma que a estrutura de uma casa é montada a partir da união de diversos tijolos, a estrutura de uma proteína também é. Nesse caso, os aminoácidos seriam os tijolos, e a casa pronta seria a proteína. Nesse sentido, você pode imaginar que existem casas pequenas, casas grandes, casas comerciais ou residenciais, casas de vários tipos... No universo das proteínas, o raciocínio é semelhante. Existem centenas de tipos de proteínas, cada uma com sua função específica dentro de todos os corpos que são vivos.
A proteína é um nutriente essencial e pode ser utilizada para uma infinidade de tarefas dentro do organismo. Está na estrutura de todas as células, na composição de vários hormônios e de enzimas, inclusive, das enzimas responsáveis pela digestão das próprias proteínas que vêm dos alimentos, assim como das gorduras e dos carboidratos, que são os outros macronutrientes.
Proteínas também estão nos fatores de transcrição e tradução de genes, no transporte de moléculas e de oxigênio pelas células vermelhas, no cabelo, nas unhas e nos pelos na forma de queratina, na contração dos músculos na forma de actina e miosina e, como protagonista, é indispensável na manutenção de uma boa imunidade: as imunoglobulinas (ou anticorpos) são moléculas de proteínas, a trombina e o fibrinogênio são proteínas e atuam na formação dos coágulos sanguíneos e evitam hemorragias, já as mucinas, que revestem as mucosas do corpo, possuem efeito germicida e protetivo.
Percebe, nesse ponto, que as proteínas estão em tudo?
Existe um conceito importante para que possamos entender a disposição das proteínas ao longo da vida. Esse conceito se chama turnover proteico, e se refere ao processo contínuo de síntese e degradação de proteínas no organismo. Durante toda a vida, usamos as proteínas para inúmeras funções vitais, como você já leu anteriormente, e dependemos da alimentação para a reposição desse nutriente.

Sendo assim, o turnover proteico se mantém equilibrado quando o consumo de proteínas, por meio da alimentação, é suficiente para repor o que o organismo utilizou nas funções biológicas.
Quando o consumo de proteínas pela alimentação é insuficiente, o turnover proteico fica desequilibrado. Nesse cenário, o organismo entra em um estado de necessidade e passa a realizar o que chamamos de catabolismo muscular.
Vamos entender o que é catabolismo pela etimologia?
A palavra grega katabolē significa "degradar, quebrar", e é formada pelos elementos kata-, que quer dizer "para baixo", e -bolē, que significa "lançar, derrubar". No contexto do metabolismo, catabolismo refere-se ao processo de decomposição de moléculas complexas em outras mais simples, no caso, a quebra de proteínas em partículas menores, ou seja, em aminoácidos.
Como isso funciona, na prática? Em resumo, quando o organismo não obtém proteínas suficientes para sustentar suas necessidades proteicas ou energéticas, ele recorre às proteínas do próprio corpo para garantir a sobrevivência. Isso significa que, na ausência de uma ingestão adequada de proteínas, o corpo precisa sacrificar proteínas previamente armazenadas nas musculaturas menos utilizadas, por exemplo, para obter aminoácidos que serão usados em funções vitais, ou até mesmo na produção de glicose, por meio de um processo chamado gliconeogênese.
Para contextualizar, a gliconeogênese é a formação de glicose a partir de um aminoácido, processo metabólico que ocorre no fígado. O caminho contrário não ocorre: glicose não pode formar aminoácidos, então sempre é uma reação irreversível.
No longo prazo, a baixa ingestão proteica pode favorecer um cenário de sarcopenia, que é a perda progressiva de massa muscular. Até certo ponto, uma redução no volume muscular faz parte do processo natural de envelhecimento, é normal. No entanto, isso pode ser substancialmente agravado por uma ingestão insuficiente de proteínas ao longo da vida, e a situação se agrava ainda mais se houver sedentarismo envolvido.

Para evitar que isso aconteça, o ideal é incluir regularmente fontes de proteínas na rotina alimentar. Esse termo é amplo, há diversas possibilidades do que pode, ou poderia, ser considerado uma fonte de proteína para um indivíduo humano, cão ou gato.
Indo direto ao ponto: a melhor escolha é sempre priorizar fontes de proteínas que sejam alimentos in natura ou minimamente processados. Carnes, vísceras e ovos são, em geral, excelentes opções.
Para cães e gatos, o consumo regular de ossos carnudos crus, somado a carnes, vísceras e ovos, crus ou cozidos, é recomendado. Relembro que, nesse caso, é fundamental ter o acompanhamento profissional para iniciar a alimentação natural com segurança, entendendo quais são os ingredientes mais adequados e também as quantidades recomendadas para o seu cão ou gato.
Para pessoas, temos uma variedade bem maior de alimentos para explorar quando o assunto é a aquisição de proteínas, como grãos, tofu, leite, queijos, castanhas, sementes... entre outros exemplos. Preferências e intolerâncias são individuais, mas uma coisa é certa: precisamos das proteínas, e precisamos que elas venham de alimentos frescos ou minimamente processados.
Evite os ultraprocessados, ainda que sejam proteicos.
Com a ascensão da ideia de que proteínas são anabólicas na consciência coletiva, a indústria viu uma grande oportunidade: fabricar produtos ricos em proteínas, porém feitos a partir de substâncias derivadas de alimentos, como o próprio whey protein, combinadas com aditivos alimentares como conservantes, corantes, adoçantes, entre outros.
Embora esse tipo de produto realmente contenha proteínas, a presença concomitante de aditivos alimentares pode trazer diversos malefícios à saúde. Além disso, proteínas provenientes de substâncias derivadas de alimentos são, em geral, pré-mastigadas e possuem um valor biológico inferior quando comparadas às proteínas encontradas diretamente nos alimentos frescos, in natura ou minimamente processados.

Por isso, prefira sempre fontes de proteína baseadas em comida de verdade. E para os nossos pets, vale o mesmo raciocínio. A ração seca, embora contenha as proteínas necessárias, é um produto ultraprocessado e carrega consigo diversas questões desfavoráveis à saúde. Caso queira se aprofundar no tema, recomendo a leitura das publicações anteriores com títulos que abordam esse assunto de forma mais direta.
AS PROTEÍNAS E O ANABOLISMO MUSCULAR
É importante saber que "proteína é pedra, não é pedreiro". Não adianta ter uma alimentação riquíssima em proteínas se não houver uma rotina adequada de exercícios físicos. A proteína não faz o trabalho de construção muscular sozinha, é necessário que exista o estímulo para isso, que vem de um treino bem planejado e bem executado.
Digo isso para retomar uma ideia bastante comum por aí: a de que as proteínas são, por si só, anabólicas. É um longo tema, mas vale registrar que apenas consumir proteínas não é suficiente para garantir o anabolismo que, nesse contexto, pode ser brevemente explicado como o desenvolvimento de massa muscular. Para que isso aconteça, é fundamental que exista o treinamento físico adequado somado a uma dieta hipercalórica. Sem esses dois fatores, a proteína não faz milagres.
AS PROTEÍNAS SÃO FERRAMENTAS
Para concluir essa postagem, espero fixar a ideia de que as proteínas, como nutrientes, são ferramentas essenciais para que o organismo seja capaz de estruturar um cenário sólido de saúde. Como vimos, é a partir das proteínas que o corpo fabrica inúmeras substâncias e estruturas, inclusive os músculos, que são tecidos fundamentais para diversas funções e para a produção de moléculas bioativas envolvidas na saúde e no bem-estar. Desse modo, elas participam ativamente do caminho para a construção de uma saúde forte e verdadeira.
Sendo assim, é importante entender que, para humanos, cães ou gatos, o consumo regular e adequado de proteínas é um fator essencial para a saúde. Entretanto, que fique claro:
O consumo de proteínas faz parte de um meio para um fim, mas não é o próprio fim.
O consumo regular e apropriado de proteínas encontradas na comida de verdade, em equilíbrio com os outros macronutrientes, que são os carboidratos e as gorduras, junto às fibras alimentares, aos fitonutrientes antioxidantes presentes em alimentos frescos, à ingestão hídrica adequada... tudo isso, distribuído em refeições completas em horários estratégicos, ou seja, com intervalos adequados entre elas, dentro de uma rotina que priorize o movimento físico constante, o descanso de qualidade, o respeito ao ritmo circadiano e o contato mais próximo possível com a natureza, com a devida atenção à saúde mental e ao bem-estar psicológico. Isso sim poderia ser um pequeno grande resumo de uma “receita” para os fundamentos da manutenção da saúde.
Percebe aqui que saúde vai muito além da simples ingestão de proteínas?
E olha que eu nem mencionei tudo. Na verdade, ninguém sabe de tudo quando o tema é “qual é o grande segredo da saúde inabalável?”. Bom, eu não tenho uma resposta definitiva para isso, mas é possível saber que começa por aí, em tudo que acabei de citar.
Por enquanto, encerraremos aqui o assunto sobre as proteínas. Em breve volto para falar sobre os carboidratos e sobre as gorduras.
Eu trabalho exclusivamente com a nutrição de cães e gatos há alguns anos e testemunho diariamente como a comida verdadeira, planejada de acordo com as necessidades nutricionais da espécie, pode transformar vidas. Ou até mesmo salvá-las.
Se você está considerando mudar a alimentação e a saúde do seu amigo de quatro patas, ficarei feliz em ajudar.
Entre em contato para mais informações e orientações personalizadas!
Atenciosamente,
Natália.



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